dez 27
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Vou misturar, nesta escrita, trabalho e prazer; vou escrever, portanto, na condição de headhunter – especialista em avaliação de profissionais, – e fanático por futebol, e por conseqüência, rodas de discussões sobre tal assunto.

Enquanto headhunter de executivos, minha função consiste em avaliar a capacidade técnica de profissionais, sua comunicação, sua clareza ao expor um ponto de vista e com isso sua capacidade de provar seu valor. Enquanto fã de futebol, gosto de ouvir alguém que conhece e que não tem medo de falar a verdade. Nos últimos tempos achei alguém com todas estas características.

Seu nome é Paulo Vinícius Coelho – ou simplesmente PVC – comentarista esportivo da Rede ESPN Brasil. Comentarista esportivo não, comentarista de futebol, como ele próprio se define. PVC tem algumas características que me faz avaliá-lo, usando do poder da minha profissão, como o melhor profissional do país. Exagero? Arrisco-me a provar que não.

O PVC, dentro de seu estilo próprio, tem uma característica altamente admirável entre os grandes profissionais: ele domina tecnicamente o assunto que fala. Isso é facilmente percebido ao ouvir suas fundamentações, sempre trazendo números e estatísticas para provar um conceito ou defender um ponto de vista. Muita gente sabe números de cor, fatos de cabeça, mas poucos conseguem trazer estas informações à tona no momento certo e que o ajudem a provar algo. Este é seu grande diferencial. Tive um belo exemplo disso quando um comentarista qualquer disse que o Brasil sempre ganhou Copas do Mundo porque tinha o melhor ataque. PVC discordou e esse comentarista o desafiou com um simples: “Quando, então, ganhamos uma Copa por conta de nossa defesa”. Coitado, foi simplesmente destruído! “Em 1994, com Márcio Santos e Aldair; levamos apenas 3 gols (um contra a Suécia na Primeira Fase no empate em 1×1 e dois contra a Holanda nas Quartas de Final, na vitória por 3×2); foi a equipe Campeã do Mundo que menos levou gols em todas a história das Copas; para completar, nosso ataque foi bem, mas não configura entre os melhores em média de gols entres os campeões;” “PVC, você tem razão”. Como sempre!

Para alguém mais romântico ou poeta na análise de futebol (linha seguida por Armando Nogueira, Juca Kfouri, Fernando Calazans, todos por quem tenho profundo respeito), talvez o julguem técnico demais. Não penso assim, apenas entendo que sua “bagagem numérica e estatística” o faz um profissional mais completo. Suas analises “românticas e poéticas” são mais raras, mas também aparecem às vezes e com brilho.

Eu, no exercício da profissão e numa divertida simulação, penso no PVC como o CFO de uma empresa. Ao ser perguntando por seu presidente sobre o resultado do mês, ele explicará linha por linha do P&L (sigla financeira para Profit & Loss, termo em inglês para o Demonstrativo de Resultados de uma empresa, relatório em que se vêem todos os números desta) comparando com o último mês, ano, década, milênio, com a empresa concorrente, com a não concorrente, ou seja, vai fazer o presidente feliz e nutrido de informações estratégicas.

Brincadeiras a parte, gosto quando alguém mostra um profundo conhecimento sobre qualquer assunto. Quanto se trata de futebol então, tudo tem um poder exponencial ,dada a minha paixão por esse esporte. Paixão e incerteza tão claras no futebol que faz com que qualquer previsão seja deixada em segundo plano. Porém, quando alguém com base fala, você no mínimo pára e escuta. É o caso aqui relatado.

Infelizmente há deslizes, como em qualquer área. “Acredito que o São Paulo será campeão este ano porque nos últimos anos sempre ganhou de Botafogo e Goiás nas últimas rodadas e por isso me faz acreditar que ganhará de novo”. Todos vimos como infelizmente acabou. PVC, se permite um jargão trazido do mercado financeiro, use a partir de agora: “um evento passado não é suficiente para garantir a repetição deste no futuro”. Acho que nesta análise das vitórias São-paulinas o comentarista foi traído pelo coração, também tricolor como o meu – e nas análises feitas pela emoção não há estatística que garanta a eficiência.

Em todo o caso, segue um modelo de profissional a ser seguido. Quem não o conhece, passe 15 minutos a frente da ESPN e veja o que é ter base ao falar de algo. Eu, desde que vi seus comentários, comecei a falar menos e a me nutrir de maior nível de informação sobre um assunto. Entro em uma discussão quando tenho boa bagagem para contribuir; caso contrário, prefiro apenas ouvir.

Se nossos políticos e representantes tivessem a base técnica e o discernimento na análise como tem PVC, tenho certeza que o país não estaria como está. Como disse no início, um brinde ao conhecimento!

Murilo Fatore de Arruda é Gerente da Divisão de Finanças de Impostos da Michael Page São Paulo – Maior empresa de Consultoria em Recrutamento e Seleção de Executivos do País.

São Paulino convicto, há 28 anos acompanhando futebol e, há uns 15, mesas-redondas sobre o assunto. Todas as segundas-feiras à frente do Linha de Passe da ESPN Brasil, programa em que PVC, Kfouri, Calazans e outros desfilam conhecimento e análise sobre futebol e tudo o que o envolve.

ago 17
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O conceito vem basicamente do refrão da música “I Am Mine” do Pearl Jam (ouça abaixo). O refrão termina assim:

I know I was born and I know that I’ll die
The in between is mine
I am mine

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As palavras me levaram a um processo cognitivo intenso de entender quem em minha vida é dono das decisões que ocorrem entre o momento em que você nasce e o fatídico momento em que irá morrer – basicamente, metaforicamente, toda nossa vida.

Parem e pensem nisso: Quem decide nossas vidas? Para ajudar o raciocínio, lembre-se de importantes decisões que teve que tomar – o esporte a praticar quando se tem 7 anos de idade, qual colégio estudar, que curso superior irá fazer, em qual empresa trabalhará, sua namorada, sua esposa, o nome de seu filho… Se provoquem a fazer isso… Talvez vocês ficarão assustados com o resultado. Por isso, ainda há tempo de avaliar, se chocar e se obrigar a mudar. Sempre há tempo para isso.

Queria mostrar algo que remetesse a nosso ciclo de vida – o mais próximo disso que encontrei foi um DNA – nossa essência, hereditariedade, família, criação, coração – é a metáfora mais perfeita de remeter ao que de fato somos. As cores vermelho e azul são os picos e vales que passamos, decisões fáceis e difíceis que tomamos, erradas e certas, se entrecruzando o tempo todo, as vezes se confundindo, ligadas entre si. Por que três ciclos? Não tenho uma resposta para isso – talvez porque mais iria doer exageradamente! DNA - Mine

O mine estrategicamente em cima do DNA é óbvio: as decisões durante todo este ciclo tem que ser minhas, devem ser minhas. Ingênuo, arrogante, individualista, utópico??? Talvez, grande chance de a resposta ser sim. Porém, é a melhor imagem que reflete o planejamento estratégico de uma vida, de um conceito de independência que muito pregam, poucos aplicam. Se sou uma média ponderada de todas as experiência que já vivi, quero que os pesos dessas sejam definidos por mim.

Para resumir, escrevi isso para explicar a pergunta que muitos me fizeram nas últimas semanas e que tive paciência de explicar apenas aos mais importantes. Na verdade, não fiz isso para inspirar ninguém nem para ficar dando explicações desse conceito. Fiz apenas para marcar a essência definidas em 28 anos de vida e que pretendo aplicar até os últimos dias dessa.

Agradecimentos: João Marco e Morbeck