out 14
Artigo por Alexandre.
Arquivado em Blog, Gente.
1 palpite

Sampa!

Meu último artigo no blog foi em janeiro, exatos 283 dias atrás. Muita coisa aconteceu desde então. Eu que era empresário em São Carlos, interior de SP, agora sou empregado em São Paulo, capital. Eu que trabalhava com cervejas especiais e petiscos deliciosos, agora mexo com TI, Web 2.0 e SaaS. Sei que soa negativo, mas não é nada disso. Estou feliz.

Caramba! Estou feliz!

É, ser empresário não é nada, nada fácil. Mesmo que a empresa seja uma choperia badalada. Adorava estar no bar toda noite, vendo os amigos e participando do entretenimento das pessoas. Via as pessoas alegres, batendo papo, se divertindo. Fazia o possível para tornar a noite delas o mais agradável possível. Por outro lado, os lucros eram minúsculos, o trabalho imenso e não tinha tempo pra mim, nem finais de semana e nem feriados. Mas isso ficou pra trás e o que restou são as boas lembranças, as amizades, a experiência toda. Acho que a maneira como coloquei no meu orkut sumariza bem:

Desde de setembro de 2010 não mais faço parte do Kawabanga – Chopp & Friends. Ainda assim, não tenho a menor dúvida que é o melhor bar de São Carlos e região.

Foi uma longa jornada de muito aprendizado e diversão. Passamos por situações únicas e inusitadas, com dificuldades e muitos sucessos. Conheci muita gente boa, as quais vou me lembrar para o resto da vida. Espero poder manter contato com vocês.

A família Kawabanga é fera! E quem já teve o privilégio de conhecer o Klauss sabe o cara especial que ele é. Vou sentir muita falta de estar todos os dias com vocês, mas não vou deixar de aparecer por aí sempre que puder.

Não preciso desejar sucesso pra vocês, porque com a liderança do Klauss, isso é garantido. Foi um enorme prazer poder ter sido parte da história dessa casa e de tudo que há por trás dela. Finalmente chegou a hora de eu seguir meu próprio caminho, e espero que esse novo caminho possa cruzar por diversas vezes com o das pessoas que fizeram os últimos anos tão marcantes. Ficam as lembranças.

Minha idéia inicial era tentar a vida como designer gráfico, em São Carlos mesmo. Estaria dando seqüência a uma pequena parte do trabalho que fazia no bar, quando criava cartazes, faixas, etc. Comecei a atualizar meu portfólio aqui mesmo no asterisko. Mas não é que a vida sorriu pra mim e eu consegui esse trampo legal aqui em Sampa?

Pois é! Agora os desafios são outros: enfrentar o transito da capital; dominar os sistemas da empresa onde trabalho; fazer novas amizades; me contentar em ver meus amigos de Sanca só de vez em quando; fazer novas amizades; e, por último, mas não menos importante, voltar a morar com meus pais depois de onze anos.

Então, vamos partir juntos nessa nova aventura?

dez 27
2 palpites

Vou misturar, nesta escrita, trabalho e prazer; vou escrever, portanto, na condição de headhunter – especialista em avaliação de profissionais, – e fanático por futebol, e por conseqüência, rodas de discussões sobre tal assunto.

Enquanto headhunter de executivos, minha função consiste em avaliar a capacidade técnica de profissionais, sua comunicação, sua clareza ao expor um ponto de vista e com isso sua capacidade de provar seu valor. Enquanto fã de futebol, gosto de ouvir alguém que conhece e que não tem medo de falar a verdade. Nos últimos tempos achei alguém com todas estas características.

Seu nome é Paulo Vinícius Coelho – ou simplesmente PVC – comentarista esportivo da Rede ESPN Brasil. Comentarista esportivo não, comentarista de futebol, como ele próprio se define. PVC tem algumas características que me faz avaliá-lo, usando do poder da minha profissão, como o melhor profissional do país. Exagero? Arrisco-me a provar que não.

O PVC, dentro de seu estilo próprio, tem uma característica altamente admirável entre os grandes profissionais: ele domina tecnicamente o assunto que fala. Isso é facilmente percebido ao ouvir suas fundamentações, sempre trazendo números e estatísticas para provar um conceito ou defender um ponto de vista. Muita gente sabe números de cor, fatos de cabeça, mas poucos conseguem trazer estas informações à tona no momento certo e que o ajudem a provar algo. Este é seu grande diferencial. Tive um belo exemplo disso quando um comentarista qualquer disse que o Brasil sempre ganhou Copas do Mundo porque tinha o melhor ataque. PVC discordou e esse comentarista o desafiou com um simples: “Quando, então, ganhamos uma Copa por conta de nossa defesa”. Coitado, foi simplesmente destruído! “Em 1994, com Márcio Santos e Aldair; levamos apenas 3 gols (um contra a Suécia na Primeira Fase no empate em 1×1 e dois contra a Holanda nas Quartas de Final, na vitória por 3×2); foi a equipe Campeã do Mundo que menos levou gols em todas a história das Copas; para completar, nosso ataque foi bem, mas não configura entre os melhores em média de gols entres os campeões;” “PVC, você tem razão”. Como sempre!

Para alguém mais romântico ou poeta na análise de futebol (linha seguida por Armando Nogueira, Juca Kfouri, Fernando Calazans, todos por quem tenho profundo respeito), talvez o julguem técnico demais. Não penso assim, apenas entendo que sua “bagagem numérica e estatística” o faz um profissional mais completo. Suas analises “românticas e poéticas” são mais raras, mas também aparecem às vezes e com brilho.

Eu, no exercício da profissão e numa divertida simulação, penso no PVC como o CFO de uma empresa. Ao ser perguntando por seu presidente sobre o resultado do mês, ele explicará linha por linha do P&L (sigla financeira para Profit & Loss, termo em inglês para o Demonstrativo de Resultados de uma empresa, relatório em que se vêem todos os números desta) comparando com o último mês, ano, década, milênio, com a empresa concorrente, com a não concorrente, ou seja, vai fazer o presidente feliz e nutrido de informações estratégicas.

Brincadeiras a parte, gosto quando alguém mostra um profundo conhecimento sobre qualquer assunto. Quanto se trata de futebol então, tudo tem um poder exponencial ,dada a minha paixão por esse esporte. Paixão e incerteza tão claras no futebol que faz com que qualquer previsão seja deixada em segundo plano. Porém, quando alguém com base fala, você no mínimo pára e escuta. É o caso aqui relatado.

Infelizmente há deslizes, como em qualquer área. “Acredito que o São Paulo será campeão este ano porque nos últimos anos sempre ganhou de Botafogo e Goiás nas últimas rodadas e por isso me faz acreditar que ganhará de novo”. Todos vimos como infelizmente acabou. PVC, se permite um jargão trazido do mercado financeiro, use a partir de agora: “um evento passado não é suficiente para garantir a repetição deste no futuro”. Acho que nesta análise das vitórias São-paulinas o comentarista foi traído pelo coração, também tricolor como o meu – e nas análises feitas pela emoção não há estatística que garanta a eficiência.

Em todo o caso, segue um modelo de profissional a ser seguido. Quem não o conhece, passe 15 minutos a frente da ESPN e veja o que é ter base ao falar de algo. Eu, desde que vi seus comentários, comecei a falar menos e a me nutrir de maior nível de informação sobre um assunto. Entro em uma discussão quando tenho boa bagagem para contribuir; caso contrário, prefiro apenas ouvir.

Se nossos políticos e representantes tivessem a base técnica e o discernimento na análise como tem PVC, tenho certeza que o país não estaria como está. Como disse no início, um brinde ao conhecimento!

Murilo Fatore de Arruda é Gerente da Divisão de Finanças de Impostos da Michael Page São Paulo – Maior empresa de Consultoria em Recrutamento e Seleção de Executivos do País.

São Paulino convicto, há 28 anos acompanhando futebol e, há uns 15, mesas-redondas sobre o assunto. Todas as segundas-feiras à frente do Linha de Passe da ESPN Brasil, programa em que PVC, Kfouri, Calazans e outros desfilam conhecimento e análise sobre futebol e tudo o que o envolve.