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- jul
Tenho ido bastante para São Paulo ultimamente. Passei duas semanas por lá há pouco tempo atrás fazendo um curso no SENAC. Fico me perguntando como as pessoas que moram lá agüentam tanto caos, especialmente no transito. Muitas vezes perdem horas todos os dias no transito para irem e voltarem do trabalho.
Em janeiro deste ano, a cidade de São Paulo tinha uma frota de mais de 5,9 milhões de veículos. E a cada dia cerca de 1.200 novos carros, motos, caminhões e outros aumentam a frota da cidade, segundo estatísticas do DETRAN de São Paulo. Até maio, a cidade já somava 6.141.575 veículos. A CET vem registrando novos recordes de congestionamentos na capital todos os meses, com centenas de quilômetros de vias paradas. Atualmente são 17,2 milhões de quilômetros de ruas e avenidas na capital e enquanto o número de veículos cresceu 25% nos últimos dez anos, as vias públicas aumentaram apenas 6%. O Metrô, que deveria ter 400 km de linhas, tem apenas 60 km.
Está claro que mais e mais pessoas vão todos os anos para a capital em busca de trabalho, educação e entretenimento e cada vez mais falta espaço, especialmente para se locomoverem. A administração da cidade está dando tiro para todos os lados, como por exemplo o rodízio de veículos e agora o de caminhões. Cogita-se criar um pedágio urbano para desestimular o motorista de circular com seu carro em certas regiões da cidade. Na minha opinião, essas medidas tratam de sintomas do problema e não do problema em si. É tampar o sol com uma peneira.
Na minha percepção, o problema não é exatamente o aumento de veículos e sim o de pessoas. Assim, se você já leu O Mundo É Plano, de Thomas Friedman, deverá entender minha proposta para melhorar a capital. É simples, na verdade: a prefeitura tem que incentivar as pessoas a não se locomoverem até o trabalho. Se a empresa mantivesse o funcionário em sua casa na capital, ela teria um desconto em seus impostos. E se a empresa conseguisse manter seu funcionário em sua casa no interior do estado, ela teria um encontro ainda maior.
Com o mundo globalizado - e, mais importante, conectado - de hoje em dia, milhares de trabalhos poderiam ser realizados pelas pessoas no conforto de suas próprias casas. Por quê dirigir até um prédio a quilômetros de seu lar se você pode realizar a mesma função de lá mesmo? É possível trocar dados e informações em tempo-real, realizar reuniões através de vídeo-conferências e até falar com clientes, fornecedores, funcionários e colegas pela internet sem nenhum custo. Basta ter um computador com internet rápida.
A empresa teria uma economia enorme: os funcionários poderiam ser terceirizados, assim evitariam os abusivos custos relacionados com os direitos trabalhistas e não seria necessário pagar estacionamento, almoço, seguro disso e daquilo para os funcionários. Claro que o modelo de trabalho mais comum hoje em dia deveria mudar: ao invés de tradicional sistema de horas trabalhadas, as empresas precisariam exigir o cumprimento de metas, focando em produtividade e não na rotina. Assim os funcionários trabalhariam a hora que acharem melhor, sobrando tempo para fazerem o que precisam durante o dia, por exemplo, basta trabalhar a noite. Cada um faz seu horário. A empresa poderia dar um computador com webcam e pagar a internet por banda-larga dos funcionários e ainda assim teria uma considerável redução de custos, em minha percepção.
Ocorreria um êxodo paulistano, com melhoria da qualidade de vida de todos, alguns porque iriam para a tranqüilidade do interior, e outros que continuariam na capital, teriam menos transito para enfrentarem em suas jornadas para irem e voltarem do trabalho. Será que dá certo? O que você acha?
Foto: “Traffic JAM !” por aapon.
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