fev 27
Artigo por Alexandre.
Arquivado em Carros e Motos.

Yamaha Virago XV535 na estradaNeste final de semana enfrentei os elementos. Não estava só, no entanto, mas muito bem acompanhado: eu e minha Yamaha Virago XV535. Fiz minha primeira viagem de moto, cerca de 300 km, ida e volta, de São Carlos até Bebedouro, minha terra natal, em SP.

Saí no sábado pela manhã de São Carlos, e o dia estava perfeito. Nenhuma nuvem no céu, a temperatura não estava castigando. Vesti uma jaqueta jeans e pulei na Ruiva, já abastecida com gasolina aditivada e com os pneus calibrados no dia anterior. E lá fui eu, enfrentando um desafio novo, mas chamado pela paixão de andar de moto.

É difícil descrever a sensação. Posso dizer que durante todo o percurso de ida viajei com um sorriso do tamanho do meu rosto. De vez em quando me pegava falando comigo mesmo, comemorando sozinho a adrenalina de ver o chão passando tão pertinho e tão rápido. Liberdade, controle, velocidade. Que mistura perfeita.

Apesar do que se pode pensar e do que muitos dizem, viajar de moto é bem seguro. Claro que a moto tem que ser potente o suficiente para responder quando preciso, mas acredito que uma moto de 250 cc seja suficiente para se viajar com segurança. Aliás, acho que é mais seguro pegar estrada com a moto do que andar na cidade, onde têm gente atravessando a rua, carros passando no cruzamento, motoristas desligados fechando você. A minha Ruiva fez a parte dela: era só enrolar a manopla direita que a menina acelerava sem reclamar, mesmo na subida. Foi de fato a melhor resposta que já tive em qualquer veículo na estrada, melhor até que um Vectra 2.0, com certeza.

Além de ser prazerosa, foi uma das viagens mais econômicas que já fiz nesse percurso. A moto fez 17,2 km/L de gasolina e os pedágios, como para qualquer moto, é grátis.

A fama de “confiável” das Viragos se provou verdadeira. A moto, apesar de quente, não apresentou em momento algum qualquer indicação de problema. Foi estável a viagem inteira, vibrando um pouco apenas quando se passava dos 120 km/h. Mas isso foi só pra testar a Ruiva, porque procurei andar sempre no limite de velocidade das rodovias por onde passei. Cheguei aos 140 km/h na reta, enrolando o cabo do acelerador até o fim.

É ai que entra o primeiro elemento: ar. O vento no peito é impressionante. A sensação é que há alguém tentando abrir os seus braços, arrancando suas mãos do guidão para te jogar pra trás. Claro que a velocidade é a maior responsável por isso, mas o vento que assopra naturalmente também me espantou. Por vezes ventos laterais pareciam empurrar a moto, comigo junto, para um dos lados. Mas isso foi fácil de controlar. Sou motociclista de primeira viagem descobrindo as coisas.

Fogo: apesar do céu de brigadeiro, o clima não estava muito quente. Ainda assim vesti calça e jaqueta jeans, que com o capacete, deixavam apenas minhas mãos expostas ao tempo. As roupas seriam para proteção, pensei, em caso de qualquer acidente. Mas sem a jaqueta creio que teria passado apuros por causa do vento. E as mãos, tomando sol diretamente ficaram mais escurinhas.

Após a primeira perna de viagem, cheguei em Bebedouro (cidade-quase-fantasma) feliz por ter realizado um desejo e vencido um desafio. Encontrei meu pai, em casa, me chamando de louco, mas também com um sorriso no rosto – sendo ele um fã de motocicletas, como eu.

No dia seguinte, domingo, já acordei pensando na viagem de volta, lembrando de como tinha feito uma boa viagem na ida. Almocei e para minha surpresa, o tempo começou a fechar. O céu azul do dia anterior tornara-se uma pintura borrada em tons escuros de cinza. Já podia ouvir trovões à distância, e sentir o vento mudando. Logo o cheiro de terra molhada anunciava o que estava iminente: chuva.

Yamaha Virago XV535 na estrada

Pensei qual seria a melhor solução: sair logo e enfrentar o temporal, ou esperar pra ver se ia passar. Resolvi encarar o novo desafio e cai na estrada, dessa vez com uma jaqueta maior, de frio, que pensava ser impermeável. Não poderia estar mais enganado.

São Pedro foi impiedoso. Mandou litros e litros de água no que parecia ser uma chuva torrencial sem fim. De Matão à Araraquara, tomei água o tempo todo. Parece brincadeira, mas juro que Pedrão colocou uma nuvem justamente sobre a rodovia Washington Luís. Enquanto trafegando pela Brigadeiro Faria Lima, pude ver a nuvem negra à distância, sobre a rodovia que pegaria em seguida. Xinguei o velho barbudo de todos os nomes que vieram à cabeça. Mais uma experiência inédita sobre a brava Virago, que mais uma vez mostrou-se completamente estável e me passou toda a confiança do mundo – isso porque era minha segunda viagem, e a primeira vez que enfrentava chuva, o terceiro elemento.

Sempre achei que a pior parte de uma viagem de moto com chuva seria a água na vizeira do capacete, mas estava enganado. A dor causada pelos pingos batendo nas mãos é espantosa. Nunca poderia imaginar. No fim, a água entrou por todos os lados e fiquei uns cem quilos mais pesado: calça, tênis, casaco, camiseta, – tudo molhado – até a cueca e as meias ficaram encharcadas. Serviu para aprender. Viajar de moto tem que ser com os equipamentos certos. Vou providenciar roupas de chuva e botas, e é claro, luvas.

Com a chuva veio a lama, e a terra se acumulou nas partes da poderosa Ruiva que ficam mais próximas do chão. Coitada, ainda está imunda. A próxima etapa é lavar a menina – outra primeira vez que vou enfrentar em breve.

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6 Comentários em “Contra os elementos”

  1. Leonardo disse:

    Bem legal seu artigo. Me lembro da minha primeira viagem de moto. Quantas saudades! Abraços.

  2. Neto disse:

    Cara, vc não acredita, mas parecia que eu estava lendo uma coisa que eu mesmo estou vivendo!
    Comprei uma Virago 250s como primeira moto e quando li o que vc descreveu, nao acreditei!!Muito real pra quem tem a moto e entende o que vc escreveu!
    Veja outro pensamento? Que na moto só cabe vc e as pessoas habilitadas á usar são uma ou no maximo duas de nossas vidas, na verdade, andar de moto significa encontrar-se consigo mesmo!
    Um abraço
    ps- sou de Sao carlos! vamos combinar uma volta!
    Neto

  3. Alexsander disse:

    Legal essa sua primeira experiência. Tive a minha a bordo de uma Fazer 250cc, indo do sertaozão do Ceará à capital Fortaleza, passando por duas serras, uma mais linda do que a outra, foram no total quase 1200km, que minha princesa segurou otimamente bem. Parabéns pelo batismo da Virago. Otimo artigo!

  4. Beto Giocondo disse:

    oi amigo, sair em liberdade num dia agradável com nossa Virago 535 é realmente uma das melhores sensações da vida. Essa virago ainda é sua? Porque sou de Porto Ferreira e comprei uma moto muito parecida com a sua vinda de São Carlos, inclusive com a placa daí. Será? Sendo ou não, liberdade pra todos nós e muita estrada.

  5. Alexandre disse:

    Oi Beto.
    Sim, ainda tenho a minha Ruivinha. Não vendo ela tão fácil! ;-)
    Quem sabe uma hora dessas nos encontramos pelas estradas.
    Abraço.

  6. Julio Cesar disse:

    legal esta experiencia sua estes dias eu adquiri uma virago 535 e a chamo de azeitona por ela ser verde heheheh!!!sou de sao carlos e quem sabe a gente se encontra porai!!!!abraços e muita estrada pela frente

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