Dia 28 de setembro de 2008 foi um dia histórico, não só pra mim, mas para inúmeros fãs brasileiros da Dave Matthews Band no Brasil. Sim, é minha banda do coração e o que eu não sabia é que ela é também a banda do coração de milhares de outros brasileiros. Foi uma surpresa agradável.
Ontem, na Chácara do Jóquei, na Vila Sônia, perto de onde “Judas perdeu as botas” em São Paulo aconteceu o Festival About Us. A premissa de um evento “verde”, sobre sustentabilidade deu início a um dos melhores dias da minha vida. Parece infantil ou tietagem, não é? As vezes também acho, mas a verdade é que realmente lavei a alma e realizei um sonho.
Muito antes de se chegar ao evento percebia-se que todo o negócio do “verde” e da sustentabilidade não tinham dado muito certo. Milhares de carros enfileiravam-se nas avenidas de acesso ao local procurando locais para estacionamento. A localização da Chácara do Jóquei não favoreceu a iniciativa: tente pegar um ônibus para chegar até lá! A organização do evento incentivava as pessoas a irem de bicicleta, mas dependendo do seu ponto de partida, você teria uma verdadeira maratona pela frente. O estacionamento oficial era nada menos que um morro enorme, com rampas íngremes de terra que, segundo um guardinha “oficial”, havia recebido cerca de 3 mil carros. Foi muita sorte para os organizadores o céu ter limpado – chuva significaria impossibilidade de entrar e sair do estacionamento, sem contar na certeza de centenas de acidentes causados pela lama escorregadia.
Demoramos cerca de 3 horas para chegarmos até lá, partindo do Shopping Eldorado. Pretendíamos ver o show da Vanessa da Mata, mas realmente não foi possível. Chegamos após o início da apresentação do Ben Harper, pouco depois das 18:00. Logo que entramos procuramos pelos banheiros, e ficamos decepcionados: pouquíssimos e longas filas. Um dos meus amigos notou que, “até chegar a nossa vez, teríamos que ir ao banheiro novamente”, se é que isso faz sentido.
O som também deixou a desejar um pouco. Não havia caixas acústicas distribuídas pelo gramado, apenas juntas ao palco. Com um público estimado em 40 mil pessoas, foi insuficiente. Pra mim isso não é tão fundamental, mas tem gente que gosta de quase estourar os tímpanos. Eu não.
Chega de reclamações, e vamos à parte mágica do evento: a música! Ben Harper & The Innocent Criminals foi ótimo. Não sou fã hardcore deles, mas gosto muito do seu trabalho. E apesar de ter ouvido comentários do tipo “poderia ter sido melhor”, realmente curti o som. Ben tocando a slide guitar e cantando com sua voz rouca e áspera, acompanhado pelos talentosos músicos do Innocent Criminals superaram minhas expectativas.
Após um pequeno intervalo, a apresentação da DMB, que estava programada para as 20:00, começou uns 5 minutos antes da hora! Para delírio total da galera, já abriram quebrando tudo, com Two Step. Abaixo, a setlist completa:
- Two Step
- What Would You Say
- Corn Bread
- Satellite
- Dancing Nancies
- Crash Into Me
- So Damn Lucky
- Eh Hee
- So Much To Say
- Anyone Seen The Bridge
- Too Much
- Drive In, Drive Out 1
- All Along The Watchtower 1, 2
- Ants Marching 1
- #41
- Warehouse
- Stay (Wasting Time)
1: Participação de Leon Mobley, percussionista dos Inocent Criminals
2: Participação de Ben Harper
Todas as músicas foram executadas com grande entusiasmo pela banda toda, que apesar da perda do saxofonista LeRoi Moore no mês passado, não se mostrou nem um pouco abalada. Dave, de fato, nem mencionou o velho amigo. Sai LeRoi, entram Tim Reynolds (antigo parceiro de Dave em suas turnês acústicas) na guitarra e Rashawn Ross no trumpete, que participaram de todas as músicas e deram seus toques especiais à toda a apresentação; Tim acrescentando peso, e Rashawn melodia.
O público cantou junto e a área VIP, em especial, mostrou-se absolutamente absorvida pela performance da banda. Sinceramente não esperava tão calorosa recepção para uma banda que é desconhecida por tanta gente. Foi uma surpresa muito agradável ver tantos fãs acompanhando Dave e a banda nos vocais e instrumentos imaginários.
Leon Mobley, percussionista da banda de apoio de Ben Harper, entrou em Ants Marching tocando bongôs e permaneceu acompanhando a banda até o final de Ants Marching. Já Ben Harper participou com sua slide guitar de All Along the Watchtower, cover de Bob Dylan, que foi executada com muita energia.
Após Ants Marching, a banda deixou o palco, mas como é de costume o público gritou em uníssono “one more song” até que eles voltaram ao palco e tocaram a música que todos pediam erguendo as mãos para o alto e sinalizando com os dedos os números quatro e um. Em #41, Jeff Coffin, saxofonista do Béla Fleck & The Flecktones que está substituindo LeRoi, roubou a cena com um solo de saxofone espetacular.
Em resumo, a organização do evento deixou a desejar. Mas ver Dave fazendo suas danças malucas no palco; ou Carter fazendo bolas de chiclete ao vivo enquanto judiava da bateria; ou os dreds do Boyd chacoalhando descontrolados enquanto ele balança com o rítimo frenético do arco do violino; ou o Stefan pulando durante Anyone Seen The Bridge e levantando o baixo no final do show; não tem preço. Amanhã tem mais, e o show do Rio promete ser ainda melhor que o de ontem, em São Paulo.





Olha minha foto aí…
=)))
eu li por cima seu post… e como assim vcs demoraram 3 horas pra chegar no evento ?!
eu cheguei lá … logo depois do NX Zero…. fui de busão… e foi bem sossegado ! =D e cheguei a conclusão que vale mais a pena viu, gasta menos e tem menos stress. Qto a organização, particularmente não tive do que reclamar… pra ir no banheiro foi bem tranquilo… só achei abusivo demais os preços das bebidas e lanches orgânicos… o_O
Mas ver Ben Harper e Dave Matthews… não tem preço que pague !! =))))
E eu AMEI os 2 shows…
té mais
=)
Eu também curti muito os dois shows Grace!
Pelo jeito, você tem razão: melhor ir mesmo de busão. Mas não foi complicado pra você ir embora? Porque de caro deve ter levado mais umas duas horas, só pra sairmos do estacionamento…
Parabéns pela foto! Ficou 10!