- 13
- mar
Essa noite tive, pela segunda, vez um sonho estranho, ou melhor, um pesadelo. Os russos invadiam o Brasil. Não foi nada pacífico, foi extremamente violento. E um tanto quanto real.
Não sei exatamente porque, mas eu estava na costa, na praia, participando de algum tipo de comemoração durante o dia. Havia milhares de pessoas lá. Algo como um Reveillon no fim da tarde. As pessoas não estavam em trajes de banho, mas usando calças jeans e camisas - estavam bem-vestidas. Faziam churrasco, bebiam cerveja, conversavam. Estavam divertindo-se e socializando-se.
Foi quando começaram a aparecer no horizonte os helicópteros. Dezenas de Hinds, como o que é usado no Rambo II, carregados de foguetes e balas letais. Eles não chegaram para fazer prisioneiros e alcançam a costa despejando seu arsenal. A partir daí, caças russos começam a sobrevoar lançando bombas e ao longe, no mar, era possível ver muitos navios chegando.
Era guerra mesmo. E claro, na praia, gente morta pra todo lado. Os sobreviventes, desesperados e desnorteados corriam sem saber para onde ir. Eu e minha família (meu irmão e minha mãe - não sei onde meu pai estava) corremos em direção às montanhas, fugindo da praia, junto com muitas outras pessoas. Já estava escurecendo e encontramos refúgio em uma praça no alto de um morro. Algumas dezenas de pessoas estavam lá conosco, todas morrendo de medo. Pedi que outras pessoas me ajudassem a quebrar as lâmpadas dos postes baixos que iluminavam a praça para diminuir nossa visibilidade em ataques aéreos. Com a praça em total escuridão, podíamos ver e ouvir os helicópteros e aviões sobrevoando e atirando ao nosso redor.
Como num filme, meu sonho corta para alguns dias depois. Estávamos refugiados na casa da minha avó, no interior e ainda estamos sob ataque. Não me lembro de ter viajado do litoral para o interior, mas sonhos nem sempre fazem sentido. Estávamos vivendo escondidos, quietos, sem usar iluminação e nos alimentávamos das coisas que sobraram na despensa: enlatados, sopas em pó e condimentos.
Meu avô começou a ficar inquieto, dizendo que deveríamos estar lutando e não escondidos, que não éramos patriotas e coisas do tipo. Mas não estávamos preparados. E realmente não somos patriotas (por que seríamos?). O acalmamos e continuamos quietos, esperando. Escondidos.
De vez em quando conseguíamos notícias (pelo rádio?) e elas nunca eram boas. Os russos vieram para ficar e ninguém estava ajudando o Brasil. Será que a crise econômica americana teria feito com que eles perdessem o poder, resultando numa nova Rússia, que havia resolvido dominar o Brasil? Eles progrediam, cidade por cidade, matando pessoas, saqueando lojas e casas e causando cáos.
Um dia vimos crianças e jovens na casa ao lado. Elas pareciam desesperadas e famintas. Estavam usando uniformes escolares. Uma a uma, começaram a se jogar da janela do segundo andar da casa. Podíamos ver a janela, mas o chão, onde elas aterrissam estava bloqueado por um muro. Apenas ouvíamos os sons graves dos corpos atingindo o chão. Não podíamos falar nada, com medo dos soldados russos. Essa cena foi desconcertante, e foi quando acordei.
Há muitas semelhanças entre meu sonho e o jogo World in Conflict, no qual a União Soviética furtivamente invade a costa oeste dos EUA, especificamente Seattle, em 1989 para não ser dissolvida. É uma visão alternativa aos finalmentes da Guerra Fria. Também acordei pensando no filme “O Pianista“. Acho que também me influenciou um artigo da Superinteressante de março sobre aviões superssônicos chamado “Donos do Ar“. A reportagem menciona como o Brasil não está preparado para um conflito, com nossos Tucanos.
Ainda bem que foi só um sonho…
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