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Esqueça a máfia italiana, ou mesmo os políticos brasileiros. A máfia a que me refiro aqui é um jogo em grupo, que envolve muita estratégia. As pessoas jogam como membros da máfia, polícia, médico ou da cidade. O objetivo é eliminar a máfia antes que ela acabe com a cidade toda. Para o jogo ficar interessante, é recomendado que seja jogado por pessoas de 14 anos de idade ou mais. Também é recomendado um grupo de 8 à 12 pessoas. Tudo que é necessário é um baralho para se determinar o papel de cada jogador.
O jogo (originalmente inventado pele estudante de psicologia russo Dimitry Davidoff em 1986) envolve muita estratégia e dissimulação. É ótimo para discutir temas como mentir, decepção, confiança, bem contra o mal, etc. ou simplesmente para se divertir. Há cinco papéis que podem ser assumidos: narrador, dois membros da máfia, dois membros da polícia (ou apenas um se o grupo não for muito grande) e um médico, o restante do grupo são cidadãos comuns.
Preparação
O narrador deve preparar o número certo de cartas do baralho para organizar o jogo. Ele ou ela pega dois ases (que representam a máfia), dois reis (que representam a polícia), uma rainha (que representa o médico), e diversas cartas numéricas (para cada um dos demais jogadores). Então, se 12 pessoas forem jogar, devem haver dois ases, dois reis, uma rainha, e sete cartas numéricas (de dois à dez), somando 12 cartas no total. O narrador embaralha essas cartas e cada pessoa escolhe uma aleatoriamente, sem revelar sua identidade para os demais. Cada pessoa assume seu papel para aquela rodada.
Papéis
- Ás (A): As pessoas que pegarem um ás são membros da máfia. O objetivo delas é manter sua identidade secreta e se misturar entre os cidadãos. Para que elas ganhem o jogo, elas tem que eliminar os cidadãos um por um em cada rodada e não serem eliminadas durante o dia.
- Rei (K): As pessoas que pegarem um rei são membros da polícia. Eles tentam descobrir quem é culpado de ser mafioso e quem é inocente. Assim, seu objetivo é ajudar os cidadãos e escolherem corretamente quem será eliminado durante o dia. Normalmente eles devem manter sua identidade secreta para que a máfica não possa os eliminar cedo, mas é tudo questão de estratégia.
- Rainha (Q): O papel de médico. Este papel opcional (mas recomendado) serve um propósito - para tentar proteger as pessoas durante a noite. Ele ou ela também pode ser egoísta e escolher proteger a si mesmo a noite.
- Todas as demais cartas (numéricas): Cidadãos. O papel deles é descobrir quem é membro da máfia secreta e eliminá-los da cidade durante o dia.
Como Jogar
Organize os jogadores em um circulo, com o narrador fora do mesmo e caminhando ao seu redor. A cada rodada do jogo, o narrador leva a cidade toda pelos seguintes passos:
1. Noite
- “É noite, então todos devem dormir.” - Todos abaixam as cabeças e fecham os olhos.
- “Mafiosos, acorde por favor.” - Somente os membros da máfia abrem os olhos silenciosamente. Eles devem escolher unanimamente uma pessoa para morrer, apontando para alguém do grupo. O narrador anota o escolhido.
- “Mafiosos, podem voltar a dormir.” - Os membros da máfia fecham seus olhos e abaixam as cabeças novamente.
- “Policiais, por favor, acordem.” - Os membros da polícia abrem seus olhos e silenciosamente apontam para uma pessoa que suspeitam ser da máfia. O narrador silenciosamente acena com a cabeça ou com a mão indicando se a pessoa escolhida é boa ou má.
- “Policiais, podem voltar a dormir.” - Novamente, os participantes fecham seus olhos e abaixam as cabeças.
- “Médico, por favor acorde e escolha quem você gostaria de proteger.” - O médico, se estiver vivo, abre os olhos e silenciosamente aponta para alguém que quer proteger naquela noite.
- “Médico, pode voltar a dormir.” - O médico fecha os olhos e abaixa a cabeça.
- “É manhã. Todos acordem, por favor.” - Todos abrem os olhos e levantam as cabeças.
2. Dia
- O narrador anuncia quem foi eliminada, a não ser que o médico tenha protegido a pessoa correta. A pessoa que foi eliminada tem que permanecer calada e sair da roda - mortos não falam. Essa pessoa pode observar o jogo em silêncio daqui para frente.
- Os cidadãos (juntamente com a máfia e a polícia que podem escolher se fingir de cidadãos) então escolhem e votam nas pessoas que eles suspeitam ser mafiosos. Cada pessoa escolhida pode se defender e dizer porque não devem ser eliminadas. A pessoa mais votada (50% ou mais) é eliminada.
- Depois que alguém é eliminado o dia acaba. O dia também pode acabar sem eliminações se o grupo preferir assim.
- O padrão se repete: o narrador anuncia que é noite novamente, e todo o processo recomeça.
Como Ganhar
A polícia ou os cidadãos ganham se eles eliminarem com sucesso os membros da máfia. A máfia ganha se eles eliminarem a maioria dos cidadãos, médico e policiais.
Variações
Há inúmeras variações do jogo, algumas tornando-o mais complexo, outras mais simples. Em uma variação popular aqui no Brasil, os papéis tem outros nomes:
- O narrador é deus.
- Os mafiosos são chamados de assassinos.
- Os policiais de detetives.
- O médico de anjo.
- Os cidadãos de vítimas.
Também há uma versão muito interessante com a adição de um papel: o psicopata. Ele é identificado pelo valete (J). Ele ajuda a máfia a determinar quem é bom ou ruim, e procura auxiliar a eliminar pessoas boas durante o dia. O psicopata joga depois do médico, e aponta para um participante para que o narrador o identifique como mafioso ou não. O psicopata não pode ser morto durante a noite pelos mafiosos, portanto, se escolhido por eles, fica a dúvida se ele é mesmo psicopata ou alguém que foi protegido pelo médico.
Também é possível fazer com que os mafiosos eliminem duas pessoas, ao invés de uma só, durante a noite. Isso agiliza bastante o jogo, e torna mais difícil, mas é bastante interessante.
Outra variação é ter apenas um policial, ao invés de dois. O jogo torna-se mais sensível, já que sem ele, os cidadãos perdem uma chance concreta de descobrirem quem é bom ou mal durante a noite.
No jogo original, aqueles que são eliminados por votação durante o dia não revelam seus papéis ou mostram suas cartas, tornando um pouco mais difícil saber com certeza quem já foi eliminado, mas isso pode ser alterado, se o grupo preferir.
Estratégias
Há muitas estratégias, mas uma que se mostrou bastante positiva é ter um dos policiais se identificar durante o dia, de modo que o médico possa proteger a pessoa certa e dar aos cidadãos alguém em quem confiar. O médico continua anônimo. Claro que isso pode ser usado de modo inverso: se um dos mafiosos ou o psicopata (quando ele estiver jogando) se identificar como sendo um policial, há bastante confusão no grupo.
Apesar do psicopata não estar incluso na versão original do jogo, ele é um papel interessante. Quando ele identifica uma pessoa como não sendo mafioso, ele deve tentar influenciar o grupo para eliminá-la durante o dia. O papel do psicopata é confundir os cidadãos e ajudar os mafiosos, mas ele deve saber quando se sacrificar para manter os mafiosos vivos.
Se os policiais preferirem não se identificar, eles devem fazer o papel inverso do psicopata: influenciarem os cidadãos a não eliminarem as pessoas boas durante o dia, e sim os mafiosos.
O médico pode tomar duas decisões: proteger-se, aguardando que um dos policiais se identifique e então passar a protegê-lo, ou caso isso não aconteça, procurar proteger uma pessoa que ele considera ou suspeita ser boa.
Parece complexo, mas realmente não é. É sim absurdamente viciante.
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