• 15
  • fev

Protetor Auricular de SiliconeJá passa da meia-noite e estou espantado. Espantado com a falta de respeito das pessoas.

Meus vizinhos no prédio onde moro, em sua maioria são boas pessoas, mas eu fui contemplado: tanto no apartamento de cima como no de baixo os moradores não receberam educação de seus pais.

Isso também me indica que as atividades universitárias aqui em São Carlos devem ter recomeçado.

Não me entenda mal: eu também já fui universitário e fiz minha cota de bagunça no meu tempo, mas sempre - em toda minha vida - procurei respeitar as pessoas em minha volta. Eu também já morei em apartamento e fiquei até altas horas tomando cerveja e conversando com meus colegas, pessoas com quem tenho grandes laços de amizade até hoje.

Agora que não mais sou universitário e as bebedeiras diminuíram, sempre procuro entender o lado daqueles que estão passando pela mesma etapa que um dia já passei. Mas nunca fiz o nível de ruido ao qual sou submetido esporadicamente em meu condomínio.

Eles não mais se contentam em conversar. Competem para ver quem fala, ri ou canta mais alto. Não satisfeitos, pulam e batem nas mobílias para aumentar os decibéis.

Meu síndico é um inútil. Pra começar, ele não reside no condomínio. Isso nunca tinha visto, até vir morar aqui. Não tem pra quem reclamar - acreditem, a polícia não faz nada. Aviso o síndico no dia seguinte, sempre, com a esperança de que pelo menos um pedido para que reduzam o barulho após as 22:00 e se não for pedir demais, uma multa para os infratores recorrentes. Mas pelo visto isso nunca ocorre.

Nessas horas fico contente com uma das poucas boas recordações que tenho do meu tempo de trabalho numa metalúrgica: protetores auriculares de silicone. Mas acredite: nem sempre são suficientes.

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