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Acabo de rever pela 4ª vez o Especial Ao Vivo Multishow - Los Hermanos, gravado em alguma casa de shows no Rio de Janeiro, sua terra natal. Depois de assistir este show algumas vezes, me sinto na obrigação de escrever sobre ele para tentar entender o que foi o tufão de sentimentos e idéias que tive e tenho cada vez que vejo este espetáculo.
O primeiro fato a se notar neste show é que Los Hermanos é uma banda adorada, idolatrada, cultuada. Vocês vão me dizer que todas são. Eu digo não, não como Los Hermanos. Na minha sincera opinião, esta banda tem hoje o status que apenas a Legião Urbana conseguiu ter na história musical recente deste país. Gostem ou não, a Legião movia milhares de fãs a cada show que realizava, todos com letras e músicas na ponta da língua e do coração. Foi isso que vi neste show dos Hermanos. Uma banda que produz letras inteligentes e difíceis de se digerir (entendam “digerir” como “entender”), saber decor sua seqüência e significado é algo realmente de quem cultua.
Falando um pouco do show em si, vi alguns amigos no palco, tocando de maneira despojada, sem se preocuparem com qualquer tipo de julgamento que fariam de sua imagem. Um palco simples, sem decoração alguma a não ser confetes e serpentinas que bem ilustravam o carnaval que eles fizeram aquele dia, roupas usuais, do dia-a-dia, barba comprida (esta sim, sua grande marca). Tudo isso tinha um simples e grande sentido: todos estavam lá para ouvirem suas canções e só isso. E tudo isso!
É uma banda muito ensaiada, simples e perfeita, em sintonia. Dois vocalistas, na minha honesta opinião, antagônicos, cada um cantando apenas as músicas que compuseram, de maneira alternada (boa sacada para se conservar a voz). Marcelo Camelo é um gênio, carismático, reconhecidamente inteligente e cativante - quando ele canta, tudo pára. Suas canções são forte, inteligentes, compreensíveis e que surtem o efeito que uma canção se propõe a surtir - nos faz parar, pensar e mudar. Rodrigo Amarante é um cara mais fechado, às vezes dá pinta de ser marrento ou despretensiosamente arrogante, mas cuja capacidade musical também é indiscutível. Suas letras talvez sejam elaboradas demais, estando no limite entre o genial e o compreensivelmente aceitável.
A grande sacada talvez esteja em não conseguirmos classificar a banda em categoria musical alguma. Em um momento em que toda banda é rotulada, fazer isso com Los Hermanos é cair em uma cilada sem solução. Teve rock, pop, samba, carnaval, deprê, solos de guitarra, riffs, um quase-hardcore, guitarras repetitivas à la Strokes, teve de tudo. E tudo muito bom. Para citar pontos altos, O Vencedor (gritada freneticamente por todos), a equipe de metais dando mais brilho ao que já é bom, e, quem diria, Anna Júlia - que seria um hipocrisia não tocar - eles tocaram e todos adoraram (vocês estão perdoados!).
A dedicação da platéia a eles é algo incrível também. Propus-me a pensar em um país melhor vendo este show. Ali devia estar a elite intelectual do Rio de Janeiro cantando cada estrofe de cada música de uma banda que escreve musicas inteligentes. Se há gente que aprecia isso, ainda temos esperança. Meu sonho é saber que Los Hermanos rodaram o país e que cada show esteve lotado de fãs, cantando tudo que se tem para cantar desta banda. Isso vai significar que há pessoas com capacidade intelectual neste país, coisa que há alguns anos desacreditamos por exemplos que vêem de cima.
Por fim, desejo vida longa a banda a Los Hermanos e que nada mude em sua maneira de existir. Pelo que vi neste show, minha esperança tem tudo para se concretizar.
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15 de outubro de 2008 at 9:21 pm
Caraaaaaa eu curtia o som desses caras tb!
Pena ter acabado a banda =(
O Vencedor, O vento … sao minhas favoritas