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Então meu avô teve um AVC essa semana, popularmente chamado de derrame cerebral. Ele ficou com o lado esquerdo do corpo - perna e braço - parcialmente paralisado. Ele não perdeu a sensibilidade, mas sim a mobilidade. Deve ser algo muito estranho não poder controlar o próprio corpo. Ele podia ver os membros ali; sabia que eles eram partes integrantes de seu corpo; sentia nosso toque, frio e calor mas não podia movê-los, por mais que tentasse.
Sim, ele esteve muito consciente durante todo o ocorrido. Durante e depois. Sendo um cardiologista e tisiologista por cinqüenta anos, ao chegar no hospital ele mesmo já deu seu próprio diagnóstico, segundo relatam os médicos e enfermeiros que o atenderam. Fora algumas confusões que meu avô fez durante a noite - devido ao trauma e ao cansaço, creio eu - não houveram problemas que não fossem motores.
Com noventa anos de idade, não é pouca coisa. Ainda assim ele é muito, muito forte. Todos o conhecem por suas caminhadas por toda a cidade. É um mestre enxadrista e se diverte escrevendo poesias e crônicas. Adora comer “sementes”, como ele mesmo diz, das macadâmias, castanhas de cajú e outros petiscos salgados. Gosta de tomar um vinho também, como bom descendente de italiano que é. Ele não gosta de sair da casa dele, seu santuário particular, com medo dos bandidos lhe roubarem. Manias de pessoas de idade.
Voltando ao AVC, claro que ele ficou bem chateado. É a primeira vez que um problema de saúde sério lhe aflige. Meu pai também se emocionou ao ver o pai dele, tão forte como é, indefeso na cama do hospital. Foi um despertar para todos nós: “Aproveite a vida, porque nunca se sabe o que tem depois da próxima curva.” Cabe bem o famoso verbo frasal do inglês “to take for granted” que pode ser vagamente traduzido como “não dar valor para algo, até que se perca”.
E em apenas dois dias, após uma noite bem dormida, meu avô começou a recuperar parte dos movimentos na perna e pé esquerdo, bem como nos dedos da mão esquerda. A tristeza que sentimos ao vê-lo sofrendo, converteu-se em alegria e esperança de uma recuperação completa.
Essa é uma pequena homenagem à você, vovô Wilson, o querido “Toro Irso” como é chamado pelos netos, com estimas de que melhore por completo. Vamos logo fazer a caminhada que planejamos!
Atualização (29/04/2008): Desde que meu avô sofreu o AVC, muita água rolou. Ele melhorou bastante um mês depois do ocorrido, recuperando quase completamente os movimentos. Conseguiu andar sozinho e se virar bem, apesar de algumas crises de ansiedade e noites mal-dormidas.
No começo do ano ele teve o que os médicos diagnosticaram como um segundo AVC, que o fez piorar muito, como na primeira vez. O estranho é que ninguém percebeu, exceto pelo declínio das funções dele - perda dos movimentos, sonolência e fortes crises de ansiedade. Foi necessário realizar uma pequena intervenção para aliviar a pressão em seu cérebro, inclusive.
Felizmente, mais uma vez ele se recupera muito bem, e já está andando sozinho novamente. Recuperou os movimentos no braço e perna esquerdos quase completamente e já está mais calmo, dormindo melhor. Estamos todos torcendo por uma recuperação plena e mais muitos anos de vida. Ele prometeu 106. Será que consegue? Boa sorte vovô!
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10 de novembro de 2007 at 9:08 am
Filho, muito emocionante sua mensagem para o vovô! Gostaria só de complementar que ele, grande apreciador da boa música, também toca órgão e piano, tem sempre uma piadinha ou estorinha no momento certo e assunto para qualquer pessoa e idade, além de ter jogado muito tênis durante a maior parte de sua vida. Que todos nós possamos contar com sua experiência e exemplo ainda por muito tempo…